Texto: Como lidar com a morte | aula 1 | Veja em leia mais…

12973518_973776682736043_9154381059094631523_o

Como lidar com a morte?

Entre os temas mais intrigantes para o homem está a questão da morte e, por consequência, da realidade da imortalidade da alma ou não. A morte por sua realidade incontestável sempre ocupou um lugar especial no imaginário do homem. Embora seja vista de forma positiva por algumas culturas, a grande maioria dos homens sempre a representaram de forma negativa e de pavor.

Os grupos de estudiosos e o dos leigos dividem-se entre si mesmos, negando ou afirmando sobre o processo da morte e os fatos que prosseguem ou não após o acontecimento fatal. Tais crenças, no entanto, não definem o surgimento ou não do medo relacionado à ela, estando, portanto, o medo presente na grande maioria da Humanidade, independentemente daquilo que esperam para depois do túmulo.

Pode-se afirmar com bastante certeza que o medo da morte é o maior medo na raça humana.  Muitos estudiosos afirmam que muitos homens não tem tanto medo de morrer, quanto tem o medo da qualidade do morrer. O certo é que a maior parte das representações da morte tem uma conotação de horror, em especial, após a idade média, que sofreu muitas pestes e guerras, fez com que sua realidade fosse ainda mais feia.

Esse medo envolve certas situações da vida: a questão da impermanência,  a do aniquilamento, das perdas, das separações e das responsabilidades a serem assumidas diante de suas crenças sobre o após morte.

Muitas pessoas têm um medo muito específico, que é o de serem enterradas vivas. A pouca capacidade para o diagnóstico da morte, em outros tempos, levando a enterrar muitas pessoas como se tivessem mortas (catalepsia), fez com que esta situação povoasse o mental dos povos, disseminando este medo.

O momento atual, com a medicalização da morte, vem tirando a possibilidade das pessoas conviverem melhor com a sua e a morte de terceiros. O fato de se levar muitas pessoas para os hospitais, impedindo uma vivência em família, deixando os pacientes muito solitários e as famílias distantes, transformou o ritual da morte numa experiência fria. A pessoa morre geralmente sem a presença de um parente ou de um amigo, em um ambiente impessoal, no meio de máquinas que causam medo e com profissionais tão condicionados à morte, que perdem, na sua maioria, a sensibilidade para a vivência da mesma. Muitos chegam a não receberem a assistência espiritual a qual estão vinculados, aumentando todo tipo de dor e de solidão.

Uma outra situação a ser lembrada é que com o aumento da longevidade, muitas criaturas tem mais medo da velhice do que da morte; e não são poucos os que, diante da má qualidade de vida neste período, preferem morrer do que viver o sofrimento oriundo do mal envelhecimento. Assim, a morte passa a ser uma vivência de fuga ou de alívio aparente, caso não haja uma preparação emocional para tal.

A questão do nada, muito vinculada à ideia da morte, causa muito sofrimento. Embora o homem não tem noção objetiva do que seja o nada ( como de outros conceitos), este aniquilamento é motivo de horror no imaginário. Os espíritos abertos a uma visão mais transcendente, recusam a inexistência de um Criador e,por consequência, do término da vida com a morte. Por isso, foram construídas as doutrinas religiosas que defendem a imortalidade da alma.

A abordagem filosófica espiritualista rejeita o nada por entender que a existência de um ser superior e criador não é coerente com a cessação de tudo com a morte; muito embora, esses grupos construíram, no tempo , visões mais diversas da vida após morte.

A visão materialista, insiste com o término da vida com a morte do corpo físico. Essa forma de perceber, abre espaço para uma abordagem pragmática e fria, estimula a eutanásia e o suicídio, diante do sofrimento, causando também relacionamentos no mesmo sentido.

O desconhecimento do quando e do como vai ser a morte é outro elemento de medo. De um lado, tem os que sofrem por causa do desconhecimento, de outro, tem os que temem ter a ideia exata da aproximação da morte. E há aqueles que sofrem por desconhecer como será o momento final da encarnação.

Existem muitas pessoas que sofrem pelo que vão perder ao morrerem. Embora pareça um pensamento ou sentimento materialista, muitos dos considerados espiritualistas sofrem com a separação que viverão dos seus bens e posses. O apego, o egoísmo, a avareza estão presentes em muitos, mesmo que se apresentem de forma dissimulada. E não são apenas os bens materiais, temos as obras, os projetos e os trabalhos, dos quais acredita-se ser donos ou figuras imprescindíveis e onde se prendem tais criaturas.

Um outro tipo de perda que causa muito medo é a perda afetiva, os amantes, os parentes e amigos, dos quais não se aceita afastar, criando processos obsessivos uni ou bilaterais.

Outro medo importante vinculado à morte está diretamente relacionado à culpa carregada na alma e nas crenças apreendidas ou atávicas da individualidade. Os remorsos por tudo que praticou de mal ou pela negligência nos cuidados com as relações são causas de imenso sofrimento nas pessoas,principalmente ao se aproximar a velhice. Sentem-se tristes, perdem o prazer da vida, cobram-se por seus enganos.  Isso piora quando a vítima já morreu ou partiu para lugares muito distantes, impossibilitando as desculpas e as reparações presenciais.  Esses medos se agravam com as crenças sobre o após túmulo, em especial, nas religiões onde o Deus é vingativo e violento em suas punições . Muitas criaturas adoecem ou agravam seus adoecimentos diante desta visão da divindade, por se sentirem rejeitados ou abandonados por Deus, diante de seus erros. Uma crença em um Deus amoroso e misericordioso reduz estas dores, alivia a alma e facilita uma percepção mais positiva da morte.

Nesse aspecto, a crença de que os reencarnacionistas viveriam melhor a morte com seus medos e dores também é uma premissa discutível. Os sentimentos de culpa, o remorso e as exigências pessoais muitas vezes sobrepõem-se ao construto intelectual da morte, causando bastante desconforto para a criatura. O temor da condenação, em especial da condenação eterna, habita o universo psíquico dos homens que, pela evolução ainda precária, sustentam tais dogmas os quais foram exaustivamente repetidos nas fieiras das reencarnações e que, por isso,  abafam a crença e ressaltam os sentimentos ruins, Desaparece a lógica da percepção intelectual do que seja a morte e, entra em cena a força do sentimento de culpa e seus comparsas; e assim está instalado o inferno no interior do sofredor. Embora conhecedor da continuidade da vida, o homem nesta condição teme a morte, temendo o descerrar do véu que o deixará frente a frente com a sua consciência. Teme a realidade interna, pois há muito optou pela ilusão de crer que pode enganar a si e ao outro, e até mesmo a Deus.

A morte é para a grande maioria o portal da consciência. Como essa grande maioria vive fugindo da realidade de reconhecer que o caminho real é estreito e difícil, negá-la e, muito mais, negar a continuidade da vida é conceder-se a falsa ideia de que não precisará ir de encontro com o mais rígido de todos os juízes, a própria consciência.

Muitas criaturas repetem uma interessante questão: se todos já morremos diversas vezes, como insistem os reencarnacionistas, por que este medo tão grande de morrer? Outros ecoam uma outra grande pergunta: se a vida continua, por que os que morrem não voltam para testemunhar e, por consequência, aliviar o pavor humano do morrer?

Para a primeira questão, temos que pensar em algumas particularidades. O medo não é proporcional nem ao seu objeto e nem à vivência da experiência. O medo é uma emoção e não se prende à razão.  São muitos os exemplos de fóbicos que temem situações ou objetos e seres que não podem lhes fazer mal algum. Pessoas que repetindo as vivências só agravam o estado fóbico. Portanto, embora os homens ao reencarnarem não tenham uma ideia clara do seja a morte e a tenham experenciado diversas vezes, pelos atavismos culturais e vivências negativas sobre o assunto, sustentam em si mesmos estes medos. Lembremos ainda que apenas poucas pessoas tem lembranças espontâneas de vivência de morte.

Quanto a segunda pergunta, é importante lembrar que são muitas as evidências da realidade da vida espiritual. Os testemunhos pululam na história, mas aqueles que não querem ver recusam qualquer prova apresentada seja pela lógica, por revelação ou vivências com indícios irrecusáveis. Assim, não adianta malhar em ferro frio, como diz antigo ditado. Os que voltaram apresentaram seus argumentos e verdades, os quais atendem “os que têm ouvidos de ouvir”. O Dr. Ian Steveson produziu extensa e séria literatura, resultado de extensiva pesquisa, comprovando cientificamente não só a realidade da vida após morte, mas também a reencarnação. No entanto, tanto estes trabalhos como de outros pesquisadores são repetidamente questionados, não pela seriedade das pessoas que os realizam, nem pelos métodos utilizados, mas por postura política e filosófica de grande parte dos acadêmicos que insistem na visão materialista reducionista.

O medo da morte é uma realidade, seus aspectos são multifacetados e, muitas vezes, as motivações estão mais ligadas à peculiaridades que lhe acompanha do que com o fenômeno propriamente dito. De qualquer forma, a maneira mais eficiente de enfrentá-lo é falar e conhecer sobre o assunto. A postura de negação ou de fuga só amplia a sua intensidade e afasta a possibilidade de vencê-la. Buscar o entendimento do mecanismo da morte, as diversas etapas vividas diante da possibilidade de sua proximidade e dos ensinamentos sobre a vida espiritual, ajudam não só no desaparecimento do medo, mas

Bom dia amigos, olha que legal o Roberto Lúcio disponibilizou um texto sobre o estudo do dia 07/04 no mini-curso “como lidar com a morte” você pode baixar o texto neste link: Mini-Curso como lidar com a morte – aula 1